Sábado, 01 de agosto de 2026
29/07/2026
(Sebastião Afonso da Silva/ Arquivo pessoal)
As chuvas registradas nos últimos dias em importantes regiões produtoras de café arábica têm aumentado a preocupação dos produtores em um momento decisivo da safra 2026/27. Além de dificultar o avanço das máquinas e das equipes no campo, a umidade pode comprometer a qualidade dos grãos que ainda aguardam a colheita.
Segundo levantamento do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea), aproximadamente 30% da produção de café arábica ainda permanece nas lavouras. O cenário preocupa principalmente porque as precipitações ocorreram justamente na reta final da colheita, período em que muitos produtores realizam a varrição, etapa de recolhimento dos frutos que caem naturalmente ao solo.
A permanência dos grãos em contato com o solo úmido aumenta o risco de fermentação e outros processos que podem reduzir a qualidade da bebida. Embora os impactos ainda estejam sendo avaliados, especialistas afirmam que somente após o beneficiamento e a classificação dos lotes será possível medir a dimensão das perdas.
Mesmo diante das preocupações com a qualidade, o mercado registrou valorização nas cotações do café. A combinação entre incertezas climáticas e possíveis impactos sobre a oferta de grãos de melhor padrão contribuiu para a recuperação dos preços nos últimos dias.
O clima tem sido um dos principais desafios para a cafeicultura brasileira nesta safra. Desde o início da colheita, produtores enfrentam interrupções causadas pelas chuvas em diferentes regiões, afetando o ritmo dos trabalhos e exigindo maior planejamento para minimizar perdas no campo.
Apesar do cenário de atenção, representantes do setor ressaltam que ainda é cedo para estimar prejuízos financeiros. A expectativa é que as próximas semanas, com o avanço da colheita e das análises de qualidade, indiquem de forma mais precisa os efeitos das chuvas sobre a safra brasileira de café.