Sábado, 01 de agosto de 2026
29/07/2026
(Divulgação)
A sanidade dos bezerros recém-nascidos voltou ao centro das discussões na pecuária brasileira após uma pesquisa identificar sinais de perda de eficácia de um dos antiparasitários mais utilizados no controle da bicheira de umbigo. O estudo também apresentou uma alternativa promissora para a prevenção da doença, considerada uma das principais ameaças aos animais nos primeiros dias de vida.
A bicheira de umbigo é causada pelas larvas da mosca Cochliomyia hominivorax, que depositam ovos no cordão umbilical logo após o nascimento do bezerro. Sem tratamento adequado, as larvas invadem os tecidos, provocando lesões, infecções secundárias e, em casos mais graves, podem levar o animal à morte. Além das perdas sanitárias, o problema gera impactos econômicos ao comprometer o desenvolvimento do rebanho.
Durante décadas, a principal estratégia preventiva nas fazendas brasileiras foi baseada no uso da doramectina. No entanto, pesquisadores alertam que o uso repetitivo desse princípio ativo favoreceu o desenvolvimento de resistência por parte dos parasitas, reduzindo gradativamente sua eficiência. Especialistas ressaltam que simplesmente aumentar a dosagem do medicamento não resolve o problema e ainda pode elevar o risco de intoxicação dos animais.
Diante desse cenário, pesquisadores da Universidade Federal de Mato Grosso do Sul (UFMS), em parceria com a MSD Saúde Animal, avaliaram a utilização da molécula fluralaner como alternativa para o manejo da doença. Nos testes realizados em campo, a tecnologia apresentou índice de proteção preventiva de aproximadamente 96% contra a infestação em bezerros recém-nascidos, indicando potencial para integrar novos protocolos sanitários na pecuária de corte.
Os pesquisadores destacam, entretanto, que nenhuma tecnologia substitui as boas práticas de manejo. A correta cura do umbigo, o acompanhamento diário dos animais recém-nascidos, a higiene das instalações e o suporte de médicos-veterinários continuam sendo fundamentais para reduzir a incidência da doença e preservar o desempenho produtivo do rebanho.
A resistência aos antiparasitários tem sido uma preocupação crescente na pecuária brasileira. Estudos recentes mostram que produtores de diferentes regiões já percebem redução na eficiência de alguns tratamentos tradicionais, reforçando a necessidade de alternância de princípios ativos e de protocolos sanitários atualizados para manter a saúde animal e reduzir prejuízos nas propriedades.